Afinal, o que se faz nesses congressos?

Olá, pessoas!
Luciana Gomes postando 😉

Dias atrás recebi uma ligação que me deixou pasma: sim, eu realmente estou indo à Escócia. Mesmo já tendo desistido. Mesmo já tendo perdido a esperança!
Felizmente consegui uma bolsa do governo escocês e lá vou eu, como jornalista novamente, fazer a cobertura de mais um congresso internacional…

Muitos de vocês devem se perguntar: Ok, vocês estão indo prum congresso no exterior… Bacana. Mas o que se faz lá? O que se discute? O que, diabos, acontece nesses eventos?

Bom. Muita coisa!
Ok, vago, né? Talvez fique mais fácil se eu postar um artigo que escrevi sobre a 2ª edição do Congresso Mundial de Jovens, que aconteceu em Marrocos, em 2003… Lendo o texto dá pra perceber que nem tudo são flores e que nem sempre as coisas saem exatamente como o esperado… Os delegados sempre acabam tendo de enfrentar alguns problemas, mas a experiência é sempre compensadora.

Nos próximos posts eu provavelmente já estarei na terra de William Wallace e talvez fique beeem mais fácil entender o que acontece por lá acompanhando os acontecimentos em tempo real. Que tal?!

Beijos pra quem fica, sorte pra quem vai! Logo estou postando aqui, novamente, com textos e fotos fresquinhas 😉

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O texto abaixo é uma versão beeeem reduzida. Para ter acesso ao artigo completinho, contando curiosidades sobre a cultura do país e tudo o mais — sim, esse é o legal de se cobrir um evento internacional: descobrir, entender e tentar explicar para os leitores o contexto sócio-cultural do lugar! — acessem: Taking it Global

Marrocos hospeda II Congresso Mundial da Juventude

Tolerância, solidariedade e sustentabilidade em foco — O II Congresso Mundial de Jovens aconteceu entre os dias 16 e 28 de agosto nas cidades de Bouznika e Casablanca, e teve como tema “Promovendo a tolerância, a solidariedade e a liderança juvenil em ações sustentáveis”. O evento visou à inclusão da juventude mundial nas discussões para a consolidação das oito Metas do Milênio, aprovadas em Assembléia Geral da ONU, em novembro de 2000 .

O Congresso foi a segunda parte de uma seqüência de encontros que teve início em 1999, no Havaí e que terá suas próximas edições em 2005, na Escócia; 2007, na Índia e 2009, de volta ao Havaí. Os mais de mil jovens que estiveram reunidos no complexo esportivo e cultural do Ministério do Esporte e Juventude de Marrocos, em Bouznika (a cerca de 80km da capital marroquina, Rabat) mal imaginavam que estavam sendo o centro das atenções de todo um país (pelo menos não até perceberem a constante presença da imprensa marroquina os acompanhando diariamente aonde quer que fossem…).

Pela primeira vez na história, o reino se abria para receber tantos estrangeiros de uma só vez. “A escolha de Marrocos como sede de um dos mais importantes fóruns de jovens do mundo garante uma excelente oportunidade para diálogo e integração, mostrando que pode haver coexistência pacífica, tolerante e harmônica entre culturas tão distintas, porém unidas por um mesmo ideal”, disse o rei Mohamed VI, em carta enviada aos participantes.

A organização do evento demonstrou uma enorme preocupação com a segurança — os participantes só podiam sair do complexo de Bouznika escoltados —, alimentação, comunicação e transporte. Era visível que o governo marroquino se esforçou para mostrar ao mundo que o país podia ser tão “ocidental” quanto quisesse e que abrigar jovens cidadãos do mundo não era tarefa das mais difíceis. Além dos dias passados no complexo, os jovens foram divididos em grupos e, durante cinco dias, tiveram a oportunidade de visitar outras cidades e regiões do país, trabalhar e dar sua contribuição para projetos sociais que estão sendo desenvolvidos nas localidades visitadas, ou simplesmente conhecer de perto as diferentes realidades em que vive o povo marroquino e fazer uma espécie de “turismo social”.

Choque de culturas – Mas nem tudo são flores, e a diversidade por vezes acaba gerando conflitos. As diferenças culturais começaram a vir à tona quando tiveram início os primeiros debates para a preparação da Declaração de Casablanca – documento oficial do evento contendo compromissos, missões e expectativas da juventude mundial sobre as metas do milênio e os temas debatidos no congresso.

Os latino-americanos apresentaram uma proposta de emenda em que incluíam a liberdade de orientação sexual no preâmbulo do documento. Foi o suficiente para que jovens fundamentalistas islâmicos enfurecidos protestassem contra a “imoralidade dos infiéis ocidentais”. A partir desse momento, a relação entre alguns participantes muçulmanos e não-muçulmanos ficou abalada até o final do Congresso.

Outro foco de conflito aconteceu entre as delegações de Israel e Palestina, que começaram a demonstrar o ódio e rancor que carregam por gerações. A até então “aldeia global” acabou se transformando em uma Faixa de Gaza em pequena escala.

Em um dos momentos mais tensos, quando a violência física estava prestes a ser usada, Ziv Weibel, delegado israelense, gritava tentando amenizar a situação: “Eu não sou o meu país, eu não sou o meu governo, não tenho nada a ver com Ariel Sharon! O que vocês querem de mim? Estou aqui lutando pela paz, como vocês. Por que me agridem?”. Enquanto isso, palestinos agregavam participantes marroquinos, argelinos e egípcios em um grande coro: “Arábia, Arábia”! Mesmo com toda a tensão, o Congresso prosseguiu e manifestações pela paz tornaram-se cada vez mais freqüentes.

O último dia do evento foi reservado para a cerimônia de encerramento que contou com a presença da princesa Lalla Hasna (irmã do rei Mohamed VI), do vice primeiro ministro escocês, Ewan Robson, do representante da ONU, Kunio Waki, entre outras autoridades. O dia foi também reservado para a votação da Declaração de Casablanca, o que acabou gerando controvérsias entre os participantes pela forma como foi conduzida: “Não houve democracia, de maneira alguma. Em primeiro lugar porque retiraram à força da sala de votação o delegado de Israel, em segundo porque, como a declaração pôde ser aceita se apenas 26, dos mais de 100 países votaram a favor?”, questionou Anna Kaxira, delegada grega. “O processo de votação foi confuso, desorganizado e injusto. Além disso, foi um absurdo a manipulação que Marrocos fez para que a declaração fosse aceita”, completou Tamoy Singh, da Jamaica.

Muitos jovens ficaram decepcionados com o fato de que 14 dias de congresso foram inúteis para que um documento legítimo e democrático, que representasse a juventude mundial, fosse aprovado e comprometeram-se a fazer uma aliança pós-congresso para revisão da Declaração e apresentação de um novo documento à ONU. Apesar de tudo, os jovens disseram que a experiência de participar de um evento internacional, tendo de representar seu país da melhor maneira, enfrentar conflitos e ver de perto choques cultuais e a beleza da diversidade foi uma experiência inesquecível: “Foi uma oportunidade fantástica! Nunca vou me esquecer de tudo o que vivi e aprendi no congresso. Acredito que sou mais consciente agora, parece que minha mente abriu”, disse Samira Hammane, delegada da França. “Fizemos contatos para toda a vida e se temos mesmo a intenção de mudar o mundo temos que ter consciência que vamos enfrentar problemas muito maiores do que enfrentamos aqui.”, completou João Felipe Scarpelini, delegado brasileiro.

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